vejo o horizonte
que se deita azul e longe
onde o futuro se
faz desconhecer
olho as mesmas montanhas
tantas vezes vistas, distraída
de mim
me faço distante
alguém que se despede
ou forasteiro
o rosto sem espasmo
nem brilho que denuncie
alegria qualquer
ou dor ou mágoa
e me deixo ficar
-despertencida-
sobre o banco de madeira
gasta, rendilhada
nos buracos, onde os insetos
fazem suas tocas
angela nabuco
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda pele
por costume adotei
a cobertura
espessa, tinha
a cor escura
que de tanto usar
já era minha, uma
que desde a unhas
me cobria e me chegava
ao centro
- rubro e força -
agora que tenho
mais suave o corpo
tintos os cabelos
curvas que desmancham
no contorno
a pele me
parece menos dura
quando esbarro
se rompe
- fraca e tola -
pelos buracos
vazam
- perdidos -
restos de idéias
farrapos de postura
mas que falta me
faz essa couraça
agora se expõe
a verdadeira
pele, que sob o sol
estica, estala e estilhaça
Angela Nabuco
a cobertura
espessa, tinha
a cor escura
que de tanto usar
já era minha, uma
que desde a unhas
me cobria e me chegava
ao centro
- rubro e força -
agora que tenho
mais suave o corpo
tintos os cabelos
curvas que desmancham
no contorno
a pele me
parece menos dura
quando esbarro
se rompe
- fraca e tola -
pelos buracos
vazam
- perdidos -
restos de idéias
farrapos de postura
mas que falta me
faz essa couraça
agora se expõe
a verdadeira
pele, que sob o sol
estica, estala e estilhaça
Angela Nabuco
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
flor no deserto
enfim
a porta se abre
uma luz – ainda que tímida-
mostra o contorno das coisas
uma cadeira
a mesa qualquer
velha conhecida
devagar, como
quem pede licença
os versos vão entrando, com
vergonha de chegar, depois
de longa ausência
eu os recebo
estreando o vestido colorido
que aguardava no armário
nas dobras do tecido
sou haste flexível
que se deixa dobrar
ao vento
brincando de esperança
angela nabuco
uma luz – ainda que tímida-
mostra o contorno das coisas
uma cadeira
a mesa qualquer
velha conhecida
devagar, como
quem pede licença
os versos vão entrando, com
vergonha de chegar, depois
de longa ausência
eu os recebo
estreando o vestido colorido
que aguardava no armário
nas dobras do tecido
sou haste flexível
que se deixa dobrar
ao vento
brincando de esperança
angela nabuco
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
seville
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