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terça-feira, 15 de março de 2011
irmã morte
vou discreta
como quem sai pela porta dos fundos
escapo do mundo aos poucos
vazia de anseios
cheia de compaixão
eu me despeço dançando
livre de mim mesma
angela nabuco
como quem sai pela porta dos fundos
escapo do mundo aos poucos
vazia de anseios
cheia de compaixão
eu me despeço dançando
livre de mim mesma
angela nabuco
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
forma e essência
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
neste janeiro
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
até

ainda vejo o turbilhão
no pedaço de mim
agarrado em algum resto de naufrágio
eu me despeço
da correria dos grandes projetos
das preocupações inúteis
das cobranças descabidas
do desejo das coisas
quem sabe um outro nome me servisse,
daqueles comuns, maria qualquer
misturada a tantas outras
cabelo sem tintura
mais brilho nos olhos
mais leveza nos pés
antevejo a liberdade de mim
para poder cantar o outro
por mais singular seja
porque todos os opostos
são de um só corpo e substância
no avesso de todos nós
angela nabuco
sábado, 27 de novembro de 2010
o grão de trigo
“se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto.” jesus
existe um lugar
onde se morre para nascer
onde o presente é o tempo certo
de conjugar os verbos
onde a essência é mais do que a forma
onde solidão é solitude
onde a compaixão vem sem esforço
porque todos são
absolutamente iguais e importantes
onde há paz apesar da guerra dos outros
onde o natal acontece todo dia
onde o vazio é completude
a alegria é parceira
e a liberdade é absoluta
um lugar em nós
onde morrendo, vivemos
e simplesmente não sabemos
angela nabuco
natal de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
umbigo

nada em mim se escandaliza
nada em mim separa ou desgosta
penetro no umbigo de cada coisa
de cada objeto banal
ou pessoa
onde a vida espia e ensina
onde nada tem nome porque é
e já sendo, eu nada espero
onde não julgo
onde me reconheço e me misturo
com o corpo de véu
livre de mim mesma
angela nabuco
foto e dripping por leo nabuco
domingo, 24 de outubro de 2010
através
tempo de criar

é tempo de criar
vem sem aviso, com a correria das formigas na mesa da cozinha
costuma chegar no setembro, com a chuva de barulho manso
no verde vigor do broto
no ovo rompido a seu tempo
vem no parto a termo
sem esperar um minuto a mais
nem antes, nem depois, mas agora
na quietude da sala que é feita de puro espaço, e das coisas que abriga
suave, no silêncio em que vou mergulhar
angela nabuco
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